Utilizando falhas já corrigidas por fornecedores, criminosos se
aproveitam da negligência de usuários, que não atualizam seus softwares
quando necessário
Cada vez mais crackers estão escolhendo como alvo as mesmas
vulnerabilidade de aplicativos em Macs e Pcs com Windows, visando
benefícios financeiros e para desenvolver malwares multiplataforma.
Essa tendência vem crescendo desde 2009, com documentos do Office.
Outras multiplataformas, tecnologias de terceiros preferidas de hackers,
incluem aplicativos como Java, Adobe PDF e Adobe Flash, afirmou a
pesquisadora em segurança Methusela Cebrian Ferrer em um post no blog do Centro de Proteção contra Malware da companhia.
Escolhendo as mesmas falhas como alvo em aplicativos comumente
utilizados por ambas as plataformas permite a crackers colher lucros
duplos com um mesmo vírus. Essa tendência Ferrer chama de "economias de
escala em vulnerabilidades multiplataforma". "Esse método de
distribuição permite aos invasores aumentar sua capacidade em
multiplataformas", disse.
Stephen Cobb, evangelista em segurança da ESET, disse que
cibercriminosos têm tratado o desenvolvimento de malwares e métodos para
infectar sistemas como um negócio por anos. "Podemos esperar para ver
ainda mais a aplicação da lógica de negócios - tais como economias de
escala, divisão de cálculos trabalhistas e de risco/recompensa -
evoluindo nesse espaço", disse ele em entrevista por e-mail.
Entretanto, focando em vulnerabilidades que talvez já foram
corrigidas por fornecedores, crackers contam com a negligência de
usuários, que não atualizam seus softwares quando necessário.
JavaPor exemplo, pessoas são notoriamente lentas
para instalar patches Java em PCs com Windows e Macs. Tanto que 60% das
instalações do aplicativo nunca são atualizadas, segundo o fornecedor
Rapid7. "Todos esses aplicativos não-atualizados no desktop, quaisquer
que sejam, são alvos fáceis para ataques", afirmou Jamz Yaneza, gerente
de pesquisas da Trend Micro.
A Microsoft apontou a última tendência enquanto investigava um
malware chamado de Backdoor Olyx, identificado no ano passado. Desde
então, variantes posteriores demonstraram a abordagem multiplataforma
utilizadas por seus criadores.
Essas ameaças são tipicamente baixadas por vítimas ao clicarem em
links maliciosos ou visitando sites corrompidos que distribuem o
malware. Os Cavalos de Troia são também anexados em e-mails.
Por atacar vulnerabilidades conhecidas, a melhor forma de defesa
ainda é manter seu software atualizado, instalando as últimas versões do
sistema operacional e paches de segurança. "Essa prática deveria ser
estendida a todos os dispositivos e plataformas, especialmente aqueles
utilizados em redes corporativas", disse Ferrer.
As opções adicionais incluem desinstalar o Java. Enquanto a
plataforma é muitas vezes necessária em servidores, sua importância tem
diminuído em laptops e desktops que utilizam novas tecnologias web.
Para fazer o software mais seguro, usuários podem rodar aplicativos
em configurações o mais seguras possível, de acordo com Wolfgang Kandek,
chefe do escritório de tecnologia da Qualys. Ele notou, por exemplo,
que usuários podem desativar o Javascript do Adobe Reader como uma
maneira de reforçar a proteção do software.
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